VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO ABORTAMENTO, DIREITOS HUMANOS E (IN)VISIBILIDADES NA PAUTA LEGISLATIVA BRASILEIRA
OBSTETRIC VIOLENCE IN ABORTION, HUMAN RIGHTS, AND (IN)VISIBILITIES ON THE BRAZILIAN LEGISLATIVE AGENDA
DOI:
https://doi.org/10.64160/rdl.v28.n1.e89-114.2026Palavras-chave:
Violência obstétrica, Abortamento, Direitos humanos, Agenda legislativaResumo
O presente artigo versa sobre o fenômeno da violência obstétrica, concentrando-se nas suas manifestações no contexto de abortamento. Parte do pressuposto de que essa forma de violência não é um evento episódico e que sua ocorrência não se limita a desrespeitos, abusos e maus-tratos durante o prosseguimento da gravidez, parto e pós-parto. Nessa perspectiva, busca responder à seguinte questão-problema: na agenda legislativa brasileira há visibilidade jurídica da violência obstétrica praticada em situações de abortamento? O objetivo geral consiste em analisar se e de que modo as proposições legislativas federais sobre violência obstétrica consideram as situações de aborto e pós-aborto. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quanti-qualitativa, cujo desdobramento foi a análise estruturada dos Projetos de Lei da Câmara dos Deputados, relacionados à violência obstétrica, que foram apresentados até o ano de 2025 e estão em tramitação. A partir do estudo desenvolvido, depreende-se que há uma resistência legislativa em nomear a violência obstétrica como tal e falta aprofundamento e especificação do que é considerado violência obstétrica para fins legais. Além disso, predomina uma invisibilidade jurídica da violência obstétrica no contexto de abortamento dentre os PLs examinados, sendo possível afirmar que o Estado brasileiro, por meio do Poder Legislativo, está caminhando para uma proteção seletiva das vítimas de violência obstétrica, incompatível com a normativa global e interamericana de proteção dos direitos humanos das mulheres.
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