DIREITOS HUMANOS E IDENTIDADE CULTURAL: A MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA OS DIREITOS DAS MULHERES / HUMAN RIGHTS AND CULTURAL IDENTITY: FEMALE GENITAL MUTILATION AND THEIR IMPLICATIONS FOR WOMEN’S RIGHTS
Palavras-chave:
Cultura, Direitos Humanos, Multiculturalismo, Mutilação GenitalResumo
Embora não seja possível fornecer um número exato, de acordo com o recente relatório Female Genital Mutilation/Cutting: A Global Concern, elaborado pela UNICEF –United Nations Children’s Fund, estima-se que aproximadamente 200 milhões de meninas e mulheres em trinta países já foram submetidas à mutilação genital feminina (MGF). Esta prática cultural é endossada por discursos comunitaristas radicais e pela vertente conservadora do multiculturalismo. Nesse sentido, o presente artigo pretende possibilitar, mediante o emprego do método hipotético-dedutivo, um olhar crítico sobre o relativismo cultural, questionando suas implicações especificamente no que diz respeito à MGF, sem olvidar da importância dos laços de pertença com a comunidade. Objetiva-se, ainda, compreender (e problematizar) os motivos pelos quais a MGF persiste, apesar das inúmeras medidas recentemente concretizadas em termos legislativos e políticos. Tudo isso para dizer que embora não seja possível reduzir os direitos humanos à experiência ocidental, há uma dimensão comum em todos seres humanos que deve ser tutelada, independentemente da sua cultura, e cuja violação implica profanar a si mesmo.
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