O CONTRATO SOCIAL E A INVISIBILIDADE FEMININA

REVISITANDO A EXCLUSÃO DAS MULHERES NA FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.64160/rdl.v27.n3.e173-189.2025

Palavras-chave:

contrato social, crítica feminista, Estado Moderno, desigualdade de gênero, teoria política

Resumo

Este artigo trata da teoria do contrato social, levando em consideração as obras de Hobbes (2002; 2019; 2020), Locke (2020) e Rousseau (2018) e destacando seus trabalhos sobre a formação do Estado Moderno, a partir da perspectiva crítica da exclusão histórica das mulheres. Como ponto de partida adota-se a premissa de que, não obstante tais contribuições sejam consideradas fundamentos universais da vida política, elas se amparam em bases que tornaram possíveis contratos de dominação que relegaram as mulheres à esfera privada. O estudo tem como método a revisão da literatura, a discussão de aspectos contemporâneos e a descrição crítica das ideias contratualistas, sob o viés das teses da crítica feminista, notadamente privilegiando a análise de Carole Pateman (2023). Os resultados sugerem que a transição do estado de natureza para o estado civil, proposta pelos contratualistas, facilitou as relações patriarcais ao encarnar o “indivíduo” como masculino. Essa universalidade fictícia justificou a exclusão das mulheres das instituições políticas e perpetuou a desigualdade de gênero que perdura ainda em nosso tempo. O trabalho interpretativo feminista sobre esses textos mostra como a ideia de diferença sexual se tornou uma base política que fortaleceu o binarismo e a hierarquia entre homens e mulheres. Em conclusão, foi possível inferir que essas origens ideológicas exigem repensar o contrato social de maneira mais justa e inclusiva. Ao se fazer uma releitura crítica desses esquemas conceituais, tendo como lente o feminismo, verifica-se seu potencial transformador, ao abalar as narrativas de legitimidade das desigualdades e sustentar formas de organização política que valorizem a pluralidade dos sujeitos.

Biografia do Autor

Alba Paulo de Azevedo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN)

Doutoranda em Ciências Sociais e Mestra em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professora da Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte (ESMARN) e Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

Sara Maria de Andrade Silva, Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte (Esmarn)

Doutora em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professora do Programa de Residência Judicial (Esmarn/UFRN). Servidora da Esmarn.

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Publicado

2025-12-19

Como Citar

Azevedo, A. P. de, & Silva, S. M. de A. (2025). O CONTRATO SOCIAL E A INVISIBILIDADE FEMININA: REVISITANDO A EXCLUSÃO DAS MULHERES NA FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO. Revista Direito E Liberdade, 27(3), 173–189. https://doi.org/10.64160/rdl.v27.n3.e173-189.2025

Edição

Seção

DOSSIÊ TEMÁTICO - Direitos Humanos