QUANDO O CRIME HEDIONDO DE ESTUPRO ENCONTRA A MORAL PATRIARCAL

WHEN THE HEINOUS CRIME OF RAPE MEETS PATRIARCHAL MORALITY

Autores

DOI:

https://doi.org/10.64160/rdl.v28.n2.e99-114.2026

Palavras-chave:

estupro, cultura do estupro, dicotomia, revitimização, direito penal

Resumo

A construção da figura feminina na sociedade brasileira permanece marcada por divisões morais que separam mulheres entre aquelas dignas de credibilidade e aquelas passíveis de suspeição. No contexto do crime de estupro, essa lógica se mantém à medida que o corpo da mulher é tratado como território público e moralizado, e que os atores do processo penal reproduzem estigmas e violências simbólicas. Dessa forma, o artigo teve como objetivo analisar a vitimização das mulheres dentro e fora do sistema penal sob a ótica do crime de estupro, a partir dos seguintes problemas da pesquisa: a tipificação penal e a atuação dos atores do processo penal protegem a vítima ou são mecanismos que corroboram com a cultura do estupro? E a cultura do estupro é capaz de gerar na população sentimento de repulsa pela vítima ao invés de empatia ou comoção? Para responder tais questionamentos foi utilizado método hipotético-dedutivo por meio de uma análise documental, examinando os dispositivos de proteção oferecidos pelo sistema jurídico penal brasileiro, além da análise da cultura de estupro e a da violência de gênero. Por fim, a partir da análise da cultura do estupro e do papel do legislativo e do judiciário perante o crime concluiu-se na presente pesquisa que, a alteração legislativa promoveu mudança no Código Penal, mas a herança patriarcal ainda mantém enraizada a revimitização da mulher e a normatização do corpo feminino fazendo com que a vítima seja vista como provocadora da conduta delituosa.

Biografia do Autor

Isabel Borderes Motta, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (UNESP)

Mestranda em Direito pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2024). Membro do Núcleo de Estudos da Tutela Penal e Educação em Direito Humanos (NETPDH). Advogada

Paulo Borges, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (UNESP)

Possui graduação em Direito pela UNESP (1990), é mestre (1998) e doutor (2003) em Direito pela UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é Professor Assistente-doutor de Direito Penal do Departamento de Direito Público e do Programa de Pós-graduação em Direito da UNESP; ex-Presidente da Comissão Permanente de Pesquisa da F.C.H.S./UNESP (2017-2019); foi Coordenador do PPGDIREITO - Programa de Pós-graduação em Direito da UNESP (2010-2017); é membro do Conselho de Departamento de Direito Público, do Conselho de Curso de Graduação em Direito, do Conselho de Pós-graduação em Direito; foi membro da Comissão Permanente de Pesquisa e da Câmara Central de Pós-graduação da UNESP; foi presidente do Conselho Editorial da Revista de Estudos Jurídicos UNESP (2010/2015); é parecerista de projetos de extensão da PROEX e de iniciação científica da PROPE e da CCGP Câmara Central de Pós-graduação da Unesp e da Comissão de Revalidação de Títulos; é Parecerista "Ad Hoc" da FAPESP, do CNPq, do SciELO (FAPESP - CNPq - BIRENE - FapUNIFESP); é membro do IBCCRIM e MMPD; e é Promotor de Justiça do MPESP. Foi membro do CONDEP/SP, representando a UNESP; e do CEAC - Conselho Editorial Acadêmico da Fundação Editora UNESP (2008/2011). É membro de Corpo Editorial de revistas jurídicas e revisor de periódicos jurídicos. Foi Coordenador Acadêmico do 1o. e do 7o. Núcleos Regionais da E.S.M.P. É professor convidado do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da ESMP - Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Penal, Criminologia e Direitos Humanos, pesquisando principalmente os seguintes temas: Direito Penal, Proteção Penal dos Direitos Humanos, Tráfico de Pessoas, Formas Contemporâneas de Trabalho Escravo, Violência em geral, Violência sexual e doméstica, Violência de gênero, Crime organizado, e Tutela penal dos direitos humanos.

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Publicado

2026-08-31

Como Citar

Borderes Motta, I., & César Corrêa Borges, P. (2026). QUANDO O CRIME HEDIONDO DE ESTUPRO ENCONTRA A MORAL PATRIARCAL: WHEN THE HEINOUS CRIME OF RAPE MEETS PATRIARCHAL MORALITY. Revista Direito E Liberdade, 28(2), 99–114. https://doi.org/10.64160/rdl.v28.n2.e99-114.2026